25 de abril de 2015

As Cidades Invisíveis de Italo Calvino

Reedição de um dos livros mais famosos da literatura mundial, um clássico que ostenta há muito a força de uma obra-prima. "Se o meu livro As Cidades Invisíveis continua a ser para mim aquele em que penso haver dito mais coisas, será talvez porque tenha conseguido reunir numa única representação todas as minhas reflexões, experiências e conjunturas", afirmou sobre a sua própria obra Italo Calvino. E acrescentou. "As Cidades Invisíveis apresenta-se como uma série de relatos de viagem que Marco Polo faz a Kublai Kan, imperador dos tártaros. A este imperador melancólico, que percebeu que o seu poder ilimitado conta pouco num mundo que caminha em direcção à ruína, um viajante visionário fala de cidades impossíveis, por exemplo, uma cidade microscópica que se expande até que termina formada por muitas cidades concêntricas em expansão, uma cidade teia de aranha suspensa sobre um abismo, ou uma cidade bidimensional como Moriana." São muitas, de facto, as cidades que este livro evoca e descreve, num  poderoso trabalho de imaginação que tem cativado leitores e artistas em todo o mundo. E também uma reflexão sobre o espaço comum, a vida em sociedade. "Creio que o livro não evoca apenas uma ideia atemporal de cidade, mas que desenvolve, ora implícita ora explicitamente, uma discussão sobre a cidade moderna", comentou ainda, a propósito deste livro, Italo Calvino, escritor italiano que nasceu em 1923 e morreu em 1985. As cidades que propõe agrupam-se em varias categorias, como mem6ria, desejo, sinais, subtileza, trocas, olhos, nomes, mortos ou céu. A primeira paragem: "Diomira, cidade com 60 cúpulas de prata, estátuas de bronze de todos os deuses, ruas pavimentadas a estanho, um teatro de cristal e um galo de ouro que canta no alto de uma torre todas as manhas".

Jornal de Letras, 15 a 28 de Abril de 2015

Homenagem a Fortunato Depero IX