28 de março de 2015

Homenagem a Fortunato Depero V

Cidade das Palavras I

Homenagem a Fortunato Depero IV

Homenagem a Fortunato Depero III

Homenagem a Fortunato Depero II

Homenagem a Fortunato Depero I

Radiocomfusa - O Senhor Walser

“Como o senhor Walser está contente! No meio de arbustos, ervas selvagens e outras manifestações da natureza ainda em pleno e imprevisível trajecto de vida, eis que foi possível construir – por via de um sentido técnico especializado de que só a grande civilização é capaz – a casa simples, sem nada de luxuoso ou ostensivo, uma mera casa para viver, a de Walser, homem que se encontra, por enquanto, sozinho no mundo, mas que vê naquela construção finalmente terminada – quantos anos demorou?! Tantos! – uma oportunidade para no fundo, sejamos sinceros encontrar companhia. Se até ali a ausência de um espaço confortável, fechado, unicamente seu, fora um obstáculo intransponível para a execução prática de alguns convites que estavam bem ali, há vários anos, na sua cabeça, como que já escritos ou verbalizados, agora, ainda com o ostensivo cheiro a novo que vinha das madeiras, da pintura das paredes, do próprio ruído das máquinas necessárias à sua vida doméstica de homem sem companhia, mas que ainda assim está claro de ver, se alimenta e suja as coisas, agora, então, com a nova casa, tudo lhe parecia possível. A casa não era para Walser apenas um lugar que a humanidade conquistara ali á floresta, ao espaço que as coisas não humanas pareciam ter determinado como seu – era ainda uma paisagem ideal, para começar a falar com os outros homens – e como disso ele sentia necessidade. Poderiam – já havia sofás! – sentar-se e falar sobre os assuntos do mundo.” Gonçalo M. Tavares, O Senhor Walser, 2006 Adormeceu, tranquilo, pensando no dia seguinte. Tinha grandes expectativas

PROJECTO É DESEJO



DO DESEJO À CONSTRUÇÃO



Futurismo

13 de março de 2015

Ailum

Uma gravura do século XVII — não se sabe se cópia do natural ou trabalho de imaginação é o único ponto de referência material de que dispõe o historiador acerca da cidade de Ailum.
A gravura mostra Ailum como uma construção arquitectónica irregular, assentada sobre uma ilha montanhosa, que ficaria a meia distancia da África e da América do Sul. A parte baixa da ilha e tomada por uma amurada de pedra, que constituía certamente o cais do porto, a oeste da ilha. Partindo dessa direcção, temos a escadaria que leva a uma espécie de fortaleza, de muros negros e altos, dominados por uma torre com ameias e seteiras. A esquerda da fortaleza, derrama-se o casario miúdo, erguido na encosta escarpada, entre manchas de vegetação. Mais atrás, a direita, sobre os telhados que se sucedem em níveis diversos, alteiam-se os dois campanários da catedral, outrora um convento.
Era no quintal desse igreja que havia um poço, de aguas profundas e claras. Tao claras que dava para ver, lá em baixo, a cabeça colorida de uma serpente, tomando toda a circunferência do poço. "A serpente dorme", escreveu Huns Dott*, "e seu corpo se estende sinuosamente imóvel por debaixo da terra, em toda a extensão da ilha. O povo acredita que, se um dia a serpente acordar e se mover, Ailum, esfacelada, desaparecerá no oceano."


El Lissitsky, 1922