29 de janeiro de 2016

O círculo Delaunay - Exposição no Centro de Arte Moderna da Fundação Calouste Gulbenkian


O Círculo Delaunay

Curadoria: Ana Vasconcelos
CAM - Hall, Salas A e B e Galeria do piso 1
20 de novembro de 2015 a 22 de fevereiro de 2016


“As Férias Grandes”, como chamou Sonia Delaunay ao período passado em Portugal – Junho de 1915 a Janeiro de 1917 -, constituíram para Robert e Sonia Delaunay um período de intenso trabalho, com a paz e tranquilidade possíveis num ambiente generalizado de conflito que acabou por chegar de uma maneira mais directa a Portugal, com a declaração de guerra da Alemanha em 9 de Março de 1916.

O círculo dos seus contactos e amizades do qual Amadeo de Souza-Cardoso fazia parte – por intermédio de Robert Delaunay participa na Primeiro Salão Alemão de Outono na galeria Der Sturm, em Barlim, 1913 –, alarga-se então a Eduardo Viana, José Pacheco e ao jovem Almada Negreiros, com 22 anos. Por proposta de Eduardo Viana, viajam até Vila do Conde, onde se instalam no início de Junho de 1915 no nº 7, da Rua Bento de Freitas. Acompanha-os Viana e, em finais de Agosto de 1915, visita-os o pintor americano (de origem ucraniana) Samuel Halpert que Robert Delaunay  conhecera na Bretanha.

Em Portugal, o casal Delaunay vai experimentar a pintura a encáustica (cera misturada a quente com pigmento). Halpert, Viana e, em Manhufe, Amadeo, experimentam esta técnia, obtendo camadas de cores mais saturadas, aveludadas, que no caso da pintura dos Delaunay contribuem para uma maior vibração dos contrastes simultâneos (simultaneismo, pintura pura ou órfica, como ficou conhecida). Viana desloca-se frequentemente a Manhufe, em visita a Souza-Cardoso, e também a Lisboa, de onde era natural. Amadeo de Souza-Cardoso visita pelo menos duas vezes os Delaunay em Vila do Conde sem que estes se desloquem a Amarante.

A exposição incide sobre o contexto criativo gerado pela presença destes artistas que a guerra traz de volta ao seu país de origem ou que empurra para o exílio. Apresenta muitos dos trabalhos realizados nesses anos, destacando igualmente o projeto coletivo organizado em Portugal pelos Delaunays a que chamaram «La Corporation Nouvelle». Nesta «Nova Corporação» colaboram Amadeo, Viana, Almada Negreiros, nela se inscrevendo igualmente (talvez mesmo sem o conhecimento dos próprios), Blaise Cendrars, Guillaume Apollinaire e o pintor russo Daniel Rossiné (ou Vladimir Baranov-Rossiné). São projectadas “Expositions Mouvantes” (exposições itinerantes) «Nord-Sud-Est-Ouest», de Norte a Sul, de Este a Oeste, e a produção de álbuns, vendidos por subscrição e que acomapanhariam as exposições, numa ação organizada de união entre artistas. Como refere Robert Delaunay no anúncio/programa do Álbum nº 1, ponto 3: «Esta ideia artística e prática nasceu da necessidade de entreajuda das artes mais do que nunca em perigo mais do que nunca umarealidade Universal». (sublinhado do próprio)

A exposição será acompanhada pela publicação de um catálogo com textos de investigação que aprofundam o conhecimento existente sobre o tema, focando, nomeadamente, a relação de trabalho de Sonia e Robert Delaunay com Amadeo de Souza-Cardoso e com o galerista futurista italiano radicado em Estocolmo, Arturo Ciacelli, responsável pela apresentação em 1916 da única exposição que se pode inscrever no quadro da «Corporation Nouvelle», ainda que apenas expondo obras de Sonia Delaunay e quatro pinturas datadas de1909 a 1914 de Robert Delaunay ; a encomenda a Sonia Delaunay de uma pintura mural para ser realizada em azulejo na fachada do Asilo Fonseca em Valença do Minho; a influência da pintura simultânea na poética literária e visual de Almada Negreiros; e ainda a relação próxima dos Delaunay com Eduardo Viana. 


Ana Vasconcelos

21 de janeiro de 2016

#03 A Moda de Sonia Delaunay no Caderno de Artista de Inês Sá



#02 A Moda de Sonia Delaunay no Caderno de Artista de Inês Sá



#01 A Moda de Sonia Delaunay no Caderno de Artista de Inês Sá



#03 A Moda de Sonia Delaunay no Caderno de Artista de Joana Sá



#02 A Moda de Sonia Delaunay no Caderno de Artista de Joana Sá



#01 A Moda de Sonia Delaunay no Caderno de Artista de Joana Sá









19 de janeiro de 2016

Biografia de Júlio Reis Pereira [Júlio]





Júlio Maria dos Reis Pereira nasce em Vila do Conde, a 1 de Novembro de 1903. Estudou pintura 2 anos na Escola de Belas Artes do Porto, e licenciou-se em Engenharia Civil na Faculdade de Ciências da Universidade desta mesma cidade. Usou o pseudónimo de Julio como artista plástico e o de Saúl Dias como poeta. Morre em 1983.


Está representada em importantes colecções privadas e públicas, nomeadamente no CAM da Fundação Calouste Gulbenkian.








Exposições:

1930 – Expõe pintura e desenho no 1º Salão de Independentes
1932 – Salão de Inverno da Sociedade Nacional de Belas Artes, em Lisboa.
1935 – Em Lisboa, na SNBA, a sua primeira exposição individual, com 50 óleos e 25 desenhos; o prefácio do catálogo é de José Régio.
1936 – Participa na Exposição dos Artistas Modernos Independentes, em Lisboa, com Almada Negreiros, Vieira da Silva, Arpad Szenes, Mário Eloy, António Pedro.
1938 – Desenhos na Galeria UP, em Lisboa.
1941 – Óleos, aguarelas e desenhos na Sociedade Harmonia Eborense, em Évora.
1944 – Desenhos na Gal. Bulcholtz, em Lisboa; o catálogo é prefaciado por José Régio.
1945 – Desenhos no Salão da Livraria Portugália, no Porto; Desenhos na delegação em Coimbra de O Primeiro de Janeiro ; Participa na primeira Exposição Geral de Artes Plásticas ; participará em todas as que se lhe seguiram.
1949 – Expõe óleos e desenhos na Galeria Portugália, no Porto. Participa na Exposição Independente , em Braga; Expõe desenhos na Galeria António Carneiro, no Porto.
1953 – Participa na 2ª Bienal do Museu de Arte Moderna de S. Paulo.
Participa na Exposição 20 Artistas Contemporâneos da Galeria de Março, em Lisboa.
1955 – Expõe desenhos, guaches e papeis colados na Galeria Pórtico, em Lisboa;
1956 – Exposição de Junho e na 1ª Exposição de Colagens na Galeria Pórtico, Lisboa.
Expõe desenhos, guaches e papeis colados na Galeria Dominguez Alvarez, no Porto; Participa com desenhos na primeira Exposição de Artes Plásticas da Fundação Calouste Gulbenkian , em Lisboa, bem como na IV Exposição Colectiva de Artistas Plásticos da Galeria Pórtico , em Lisboa.
1959 – Expõe desenhos na Galeria do Diário de Noticias , em Lisboa.
1961 – Participa com desenhos na Segunda Exposição de Artes Plásticas da Fundação Calouste Gulbenkian , em Lisboa. Expõe desenhos em Lourenço Marques, Inhambane e Beira, (Moçambique).
1964 – Exposição retrospectiva 40 Anos de Pintura e Desenho no Museu Regional de Évora; Expõe desenhos na Galeria do Diário de Noticias , em Lisboa.
1967 – Exposição retrospectiva na Cooperativa Árvore, no Porto bem como no Salão Nobre da Câmara Municipal de Vila do Conde.
1969 – Desenhos, aguarelas, guaches e monotipias. na Galeria do Diário de Noticias.
1970 – Expõe óleos de 1923 a 1935, na Galeria S. Mamede, em Lisboa.
1972 – Exposição colectiva da Galeria S. Mamede, em Lisboa, 10 Artistas da G.S. M .
Participa, por escolha do crítico Rui Mário Gonçalves, na EXPO AICA SNBA 1972 .
1973 – Expo retrospectiva “ 50 Anos de Desenho” , na Galeria S. Mamede , e na G. Alvarez, no Porto
1974 – Participa na exposição Maias para o 25 de Abril , na G. S. Mamede, em Lisboa.
1975 – Expõe na Galeria JN, no Porto.
1977 – Expõe óleos, aguarelas e desenhos na Junta de Turismo da Costa do Sol.
1978 – Exposição do Cinquentº da presença (1927–1977), em Coimbra, Lisboa, Madrid e Paris.
1979 – Expõe aguarelas, na Galeria S. Mamede, em Lisboa.
1980 – Grande exposição retrospectiva da sua obra, na Biblioteca da Câmara Municipal de Vila do Conde, no Centro de Arte Contemporânea no Porto e na Fundação Calouste Gulbenkian, em Lisboa.
1982 – Expõe desenhos das décadas de 20 e 30 na Junta de Turismo da Costa do Estoril.
Expõe desenhos e aguarelas na Galeria S. Mamede, em Lisboa.
1983 - Exposição no Espaço A / Club Cinquenta, em Lisboa; 30 Desenhos da série “Poeta” , na Galeria S. Mamede, em Lisboa.
1984 – Participação na exposição Os Novos Primitivos – Os Grandes Plásticos, na Cooperativa Árvore, no Porto; Exposição Julio – um longo percurso poético, (55 trabalhos de 1927 a 1982), na Cooperativa Árvore, no Porto; Exposição Évora e o Alentejo na Obra de Júlio promovida pelo Museu de Évora.
Está representado na Exposição Internacional. Surrealismo e Pintura Fantástica , organizada por Mário Cesariny e Carlos Martins, em Lisboa.
1985 –Retrospectiva por ocasião do cinquentenário da 1ª exposição (Gal Gilde) Exposição de desenhos no Museu Nacional Machado de Castro, em Coimbra;
1986 – Exposição na Galeria de Arte de Vilamoura; Participação na exposição Le XX siècle au Portugal no Centre Albert Borschette, em Bruxelas.
1987 – Julio-Saúl Dias, o pintor e o poeta na Bibliotª do Leal Senado, de Macau. Participação na exposição Arte Contemporáneo Portugués no Museo Español de Arte Contemporáneo, em Madrid e na exposição Artistas Modernos Portugueses, no Museu Puskin, em Moscovo.
1988 –Galeria Roma e Pavia, no Porto.
1992 – Exposição Julio – Obra Gravada na Gal. Municipal de Vila do Conde; Exposição Julio – Uma estética da Ternura / O Modernismo e o Oriente , na Galeria da Casa Garden, em Macau; o catálogo tem uma introdução de Mário Soares e um prefácio de Maria João Fernandes.
1993 – Exposição Júlio / Le peintre-poète no Centre Culturel Portugais da Fundação Calouste Gulbenkian, em Paris, com uma significativa mostra da pintura a óleo; o catálogo tem uma introdução de Mário Soares.
1994 – Exposição Júlio – Saúl Dias: uma presença na Presença Câmara Municipal de Vila do Conde. Participação na exposição Imagens da Família, Arte Portuguesa, 1801 – 1992 , organizada pelo Museu José Malhoa, nas Caldas Rainha e na “1ª exposição Surrealismo (ou Não)” na Galeria São Mamede.
1996 / 1997 Júlio, Antologia Breve na Gal. S. Mamede, e na Universidade de Évora
1997 – Participa na exposição Modernismo in Portogallo 1919 – 1940, Arte e Società nel tempo di Fernando Pessoa , no Museu Mediceo, em Florença, Itália.
1997 / 1998 – Está representado na exposição Arte Moderna Portuguesa no Tempo de Fernando Pessoa, 1910 — 1940 , apresentada no Schirn Kunsthalle de Frankfurt e posteriormente no Centro Cultural de Belém, em Lisboa.
1999 – Desenhos dos Surrealistas em Portugal, 1940 – 1966, Museu Nacional Soares dos Reis, no Porto.
2000 – Júlio, Antologia de um Percurso Poético , no Centro Cultural de Cascais da Fundação D. Luís I;
2002 / 2003 ­ As Câmaras Municipais de Vila do Conde, Estremoz e Portalegre, promovem exposições e outras actividades comemorativas do centenário do seu nascimento.
2004 - Júlio: O Atelier do Poeta / Dos anos 20 aos anos 70 na G S. Mamede.


Publicações

1931 - Álbum música , com desenhos gravados em linóleo e palavras de José Régio (ED Presença); 1932 – sob o pseudónimo de Saúl Dias, um livro de poesia, ... mais e mais ... , com desenhos seus (Ed Presença); 1934 – Álbum Domingo, com desenhos tirados a ozalid e palavras de Adolfo Casais Monteiro. (Presença); Tanto , segundo livro de poesia, com um desenho e duas colagens suas (Presença); 1938 – Novo livro de poesia, Ainda , com desenhos seus (Ed. Presença); 1973 – Essência, poesia e desenhos, (Brasília Ed.) 1952 – Sangue , mais um livro de poesia, , com um desenho seu (Ed. Ser); 1962 – Obra Poética, de Saúl Dias, abrangendo os 4 livros anteriormente publicados e o livro inédito Gérmen . (Portugália Editª); 1983 - 30 Desenhos da série “Poeta” ,( Ed INCM);

1984 – Júlio-Saúl Dias, O Universo da Invenção de Maria João Fernandes (INCM); 2000 - Obra Poética, de Saúl Dias, 3ª edição revista e aumentada (Ed Campo das Letras); 2002 - O Essencial sobre Saúl Dias-Júlio de Isabel Vaz Ponce Leão (Ed. INCM); 2003 ­ A produtora Plano 9, Lda, de Lisboa, edita um CDROM sobre a obra plástica e poética de Julio-Saúl Dias. 2004 ­ Julio – Saúl Dias, Um Destino Solar. de Maria João Fernandes (Ed INCM).


Outras actividades:


1926 – Desenha a capa do primeiro livro de José Régio, Poemas de Deus e do Diabo; será o autor de outras capas e ilustrações; 1927 – Colabora com um desenho no primeiro número da revista presença, colaboração que prosseguirá até à sua extinção; 1958 – Obtém o 1º prémio de desenho no IV Salão de Outono, no Estoril; Faz parte da Missão Internacional de Arte, organizada pelo Grupo Pró - Évora, com exposições em Évora, Lisboa e Porto; 1960 – Obtém o 1º prémio de desenho no 1º Salão de Artes Plásticas da Biblioteca-Museu Municipal de Vila Franca de Xira; 1964 - É apresentado o filme de Manoel de Oliveira, As Pinturas de Meu Irmão Júlio , sobre a pintura a óleo executada entre 1923 e 1935, com apresentação de José Régio e música de Carlos Paredes; 1971 – Celebra um contrato com a Câmara Municipal de Estremoz, adquirindo-lhe esta a sua colecção de barros antigos e populares de Estremoz (cerca de 350 peças), fruto de buscas durante mais de 30 anos; 1980 – Prémio da Crítica, ex-aequo com António Ramos Rosa, pelo livro Obra Poética , de Saúl Dias , 2ª edição ; São editadas pela Manufactura e Tapeçarias de Portalegre, duas tapeçarias executadas a partir de aguarelas inéditas da série “Poeta”; 2002 – Colóquio Uma Palavra Para Todo O Sempre , de homenagem a Júlio - Saúl Dias no centenário do seu nascimento (Univ Fernando Pessoa, Porto).

#3 obras de Júlio Reis Pereira na coleção da EB 2/ de Pedrouços



O Matemático
Óleo sobre madeira (1933)
65x80 cm

Epitalâmio
Óleo sobre cartão (1931)
80x65 cm

O Fumador
Óleo sobre cartão (1926)
80x65 cm