Reedição de um dos
livros mais famosos da literatura mundial, um clássico que ostenta há
muito a força de uma obra-prima. "Se o meu livro As Cidades
Invisíveis continua a ser para mim aquele em que penso haver dito
mais coisas, será talvez porque tenha conseguido reunir numa única
representação todas as minhas
reflexões, experiências e conjunturas", afirmou
sobre a sua própria obra Italo Calvino. E acrescentou. "As Cidades Invisíveis
apresenta-se como uma série de relatos de viagem que Marco Polo faz a
Kublai Kan, imperador dos tártaros. A este imperador melancólico, que
percebeu que o seu poder ilimitado conta pouco num mundo que caminha
em direcção à ruína, um viajante visionário fala de cidades
impossíveis, por exemplo, uma cidade microscópica que se expande até que
termina formada por muitas cidades concêntricas em expansão, uma cidade
teia de aranha suspensa sobre um abismo, ou uma cidade bidimensional como
Moriana." São muitas, de facto, as cidades que este livro evoca e
descreve, num poderoso trabalho de imaginação que tem cativado
leitores e artistas em todo o mundo. E também uma reflexão sobre o espaço
comum, a vida em sociedade. "Creio que o livro não evoca apenas uma
ideia atemporal de cidade, mas que desenvolve, ora implícita ora explicitamente,
uma discussão sobre a cidade moderna", comentou ainda, a propósito deste livro,
Italo Calvino, escritor italiano que nasceu em 1923 e morreu em 1985. As
cidades que propõe agrupam-se em varias categorias, como mem6ria,
desejo, sinais, subtileza, trocas, olhos, nomes, mortos ou céu. A primeira paragem:
"Diomira, cidade com 60 cúpulas de prata, estátuas de bronze de todos os
deuses, ruas pavimentadas a estanho, um teatro de cristal e um galo de
ouro que canta no alto de uma torre todas as manhas".
Jornal
de Letras, 15 a 28 de Abril
de 2015
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